Quem diria que a franquia Plague Tale resolveria dar esse giro de 180 graus? Se você estava esperando aquele clima de 'esconde-esconde' com hordas de ratos e o desespero de tentar sobreviver a uma peste medieval, sinto informar que Resonance: A Plague Tale Legacy segue por outro caminho. A Asobo resolveu transformar a experiência em um jogo de ação e aventura em terceira pessoa, focando na história da Sophia, aquela contrabandista que a gente conheceu no segundo jogo. É quase como se tivessem pegado a essência da série e jogado ela dentro de um molde de Tomb Raider.
Para ser sincero, eu achei a mudança corajosa. Os jogos anteriores tinham aquela atmosfera Grand Guignol maravilhosa, mas as partes de gameplay de stealth eram, muitas vezes, irritantes pra caramba. Quem nunca morreu porque deu um passo errado numa linha invisível e teve que refazer a seção inteira? Pois é. Agora, o foco mudou completamente para a exploração de ruínas minoicas e um combate com espadas que, surpreendentemente, funciona muito bem. É menos 'sobrevivência desesperada' e mais 'aventura de caçadora de tesouros'.

O sistema de luta é onde o jogo realmente brilha. A gente tem aquela barra de atordoamento nos inimigos que enche conforme você deflete os ataques, mas o toque de mestre aqui é a interação com o cenário. Não tem nada mais satisfatório do que pegar uma garrafa qualquer no chão e esmagar na cara de um soldado para abrir a guarda dele. Dá aquela sensação de ser um verdadeiro malandro, um rogue clássico, fugindo da monotonia de apenas apertar o botão de parry.
Além das garrafadas, o chute do jogo é simplesmente absurdo de bom. Ele não serve só para atordoar quem usa escudo, mas você pode literalmente chutar os caras para fora de penhascos se não quiser perder tempo decorando o timing perfeito de esquiva. Eu gostei tanto dessa mecânica que foi a primeira coisa que eu upei usando os resonance points, que você consegue derrotando grupos de inimigos ou procurando conchas espalhadas pelo mapa. Para quem curte Notícias de gameplay fluido, esse combate é um ponto alto.

A progressão também é interessante, com a Sophia equipando joias que você encontra pelo caminho. Essas peças não são só cosméticas; elas aumentam a chance de acerto crítico e melhoram a janela de parry. O detalhe visual é massa: conforme você equipa mais braceletes, a personagem fica literalmente carregada de ouro, a ponto de parecer que ela mal consegue levantar os braços de tanto peso. É aquele tipo de detalhe que mostra que a Asobo teve carinho na produção.
Agora, nem tudo são flores. Os puzzles de luz e lentes, típicos de jogos de exploração, são bem genéricos. Tem algumas partes que exigem um salto de lógica tão absurdo que chegam a ser frustrantes, especialmente na porta do Templo Negro. Além disso, a estrutura do jogo é linear ao extremo. Você sabe que vai ter que passar por aquelas frestas apertadas na parede só para a câmera dar um zoom em uma paisagem bonita que acabou de carregar, ou deslizar por algum tobogã de pedra para que o jogo possa deletar a área anterior da memória do PC ou do console.

O maior problema, porém, é a previsibilidade do roteiro. A Sophia tem um livro de pistas e uma esfera especial para ler mensagens ocultas, mas não importa o quão rápido você seja: você sempre chega na área e descobre que os soldados já passaram por ali. A sensação de 'corrida pelo tesouro' flopou porque o jogo te força a sempre estar um passo atrás para justificar as lutas e as plataformas que desabam. É a fórmula clássica do cinema de aventura, mas que aqui cansa um pouco por ser repetitiva.
No quesito técnico, o jogo roda liso no Windows 11 e é totalmente jogável no Steam Deck, o que é um alento para quem prefere jogar no portátil via Steam. O visual é impecável, capturando bem a vibe do Mediterrâneo, transformando o jogo em algo como um Uncharted de baixo orçamento, mas com espadas. É aquele tipo de experiência que não tenta reinventar a roda, mas entrega a diversão básica com qualidade.

Sobre o bolso, o game sai por cerca de R$ 275 reais, um preço considerável para um título que não é um AAA de peso, mas que entrega horas de entretenimento sólido. Não chega ao nível de Rise of the Tomb Raider, mas definitivamente é superior ao Shadow of the Tomb Raider em termos de engajamento e combate. É um spin-off que sabe o que quer ser, mesmo que às vezes tropece nos próprios clichês de design.
No fim das contas, Resonance: A Plague Tale Legacy é um experimento interessante. Ele prova que a marca da franquia não depende apenas dos ratos, mas da capacidade de criar personagens carismáticos e cenários imersivos. Se você gosta de ação linear, combate tático de curto alcance e não se importa com puzzles meio 'estranhos', vale a pena dar uma chance. Só não espere a tensão angustiante dos jogos principais; aqui, a Sophia está no controle e a diversão vem de mandar os inimigos para o buraco com um chute bem dado.


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