Sabe aquele momento em que você assiste a um trailer no Summer Game Fest 2026 e fica pensando: "Mas que diabos é isso?". Foi exatamente assim com Sea of Remnants. A NetEase Games resolveu lançar um clipe musical cheio de cores e personagens dançando em espaços liminares, mas quase não mostrou um segundo de gameplay real. O hype foi construído em cima de música e estilo, deixando todo mundo no escuro sobre o que realmente estaríamos jogando. Quando finalmente tive a chance de botar a mão no demo, percebi que a confusão do trailer era, na verdade, um reflexo do próprio jogo.
O problema aqui é que Sea of Remnants parece estar sofrendo de uma crise de identidade severa. O jogo tenta abraçar o mundo com as duas mãos e acaba não segurando nada com firmeza. Temos exploração de mundo aberto, navegação, coleta de tripulação via gacha, combate por turnos, elementos de roguelite e diálogos que lembram demais aquelas visual novels japonesas. É como se a NetEase Games tivesse olhado para o sucesso de Sea of Thieves e de Honkai: Star Rail e decidido: "Vou meter tudo isso num liquidificador e ver o que acontece".
A experiência começa de um jeito bem estranho, quase meditativo, com você remando lentamente em direção a uma luz. Mas não se engane, porque a calma dura pouco. Em menos de 15 minutos, o ritmo do jogo vira um caos total. Eu me vi lutando contra um monstro marinho gigantesco em um navio totalmente tunado, apanhei feio porque a luta era impossível, e logo em seguida fui jogado para uma tela de criação de personagem para acordar dentro de um laboratório de cientistas. Esse corte seco na narrativa deixa qualquer um tonto e tira completamente a imersão.
Depois desse turbilhão, finalmente fui solto na ilha de Orbtopia, que serve como o hub principal do game. O começo lá é bem aleatório — inclusive passei um tempo perseguindo uma galinha por motivos que a NetEase Games ainda não me explicou direito — até chegar em um bar. Foi ali que as apresentações começaram e conheci a R.S., uma pirata atrevida e ladra que promete ser o coração da história. A vibe visual é vibrante e estilosa, mas a estrutura do jogo continua parecendo um quebra-cabeça montado errado.
É nesse ponto que a máscara cai e descobrimos que, quando você não está navegando ou explorando, Sea of Remnants vira um RPG de combate por turnos. Para quem já jogou qualquer gacha moderno, a experiência é familiar ao extremo. Você seleciona seus ataques, gerencia turnos e torce para que a estratégia funcione. Sendo bem sincero, essa parte é a mais sem graça do pacote. Talvez seja por isso que a empresa evitou mostrar o combate no trailer do Summer Game Fest 2026, porque não tem nada de inovador aqui; é a fórmula básica de sempre.
O sistema de progressão também segue a cartilha dos jogos de serviço atuais. Existe um portal para um mundo onírico que serve para recrutar novos membros da tripulação. E aqui vem o número assustador: a promessa é de mais de 400 tripulantes diferentes para colecionar. Para quem ama o grind e a sorte do gacha, isso pode ser um paraíso, mas para quem busca uma experiência de pirataria raiz, parece apenas mais uma forma de tentar esvaziar a carteira do jogador no PC ou PS5.
Outro ponto que merece atenção são as mecânicas de logística. Encontrei personagens que funcionam como depósitos de loot, permitindo enviar itens de volta para Orbtopia. Isso é útil, mas reforça a sensação de que o jogo é um amontoado de sistemas de outros gêneros. Tem navegação, tem combate estratégico, tem exploração e tem esse loop de coleta. O perigo é que, ao tentar ser tudo para todo mundo, o jogo corre o risco de não ser excelente em nada e acabar sendo apenas "médio" em tudo.
As imagens e a direção de arte são, sem dúvida, o ponto forte. Tudo é colorido, fluido e tem uma personalidade própria. Ver o navio cortando as ondas ao lado de criaturas colossais é visualmente satisfatório, e a interface é limpa. Porém, beleza não sustenta gameplay por muito tempo. Se a NetEase Games não conseguir amarrar esses fios soltos e dar um sentido real para a transição entre o combate por turnos e a navegação livre, o título pode flopar por falta de foco.
No fim das contas, saí do demo com a sensação de que joguei apenas a superfície de um projeto extremamente ambicioso, mas bagunçado. A mistura de elementos roguelite com RPG de turnos em um cenário de piratas é ousada, mas a execução atual pareceu truncada. Não sei se o público de Steam vai aceitar essa mistura ou se os fãs de jogos de pirataria vão odiar a falta de ação em tempo real nos combates. É um risco enorme que a desenvolvedora está correndo.
Meu veredito parcial é: Sea of Remnants tem potencial para ser um hit se conseguir equilibrar a balança, mas no momento ele é um "pato". Sabe como é? O pato nada, voa e anda, mas não faz nada disso com a perfeição de um peixe, de um pássaro ou de um cachorro. Se a empresa continuar nesse caminho de adicionar centenas de personagens sem refinar a essência do gameplay, teremos mais um jogo visualmente lindo que é vazio por dentro.
Agora é esperar para ver se a versão final consegue transformar essa confusão em algo coerente. Se eles conseguirem integrar o sistema de gacha de forma orgânica na narrativa e derem mais profundidade ao combate, pode ser a surpresa do ano. Caso contrário, será apenas mais um experimento curioso da NetEase Games que tentou abraçar o mundo e acabou tropeçando nos próprios pés.
Você acha que misturar combate por turnos com exploração de piratas funciona ou é receita para o flop? Deixe sua opinião nos comentários!