Olha, galera, vamos ser sinceros: a transição da DC para esse novo universo capitaneado pelo James Gunn e pelo Peter Safran foi um movimento necessário. A gente já estava cansado daquela vibe sombria e depressiva que o Zack Snyder impôs por anos, onde tudo era cinza e todo mundo parecia estar num funeral. Começar com um Superman escrito e dirigido pelo próprio Gunn foi a jogada mestre para limpar a barra da empresa e mostrar que a Warner Bros. Pictures finalmente entendeu que super-heróis também podem ter cores e, quem sabe, um pouco de esperança.
Mas a pergunta que não quer calar é: essa fórmula do James Gunn é replicável ou ele é o único que sabe fazer isso? É aí que entra Supergirl, o segundo longa do DCU. A estratégia aqui foi inteligente: em vez de resetar logo o Batman ou a Mulher-Maravilha (o que pareceria apenas mais do mesmo), eles foram para personagens menos óbvios para o grande público. O problema é que, ao fazer isso, o filme acabou ficando dependente demais do 'estilo Gunn' para tentar emplacar.

O diretor Craig Gillespie e a roteirista Ana Nogueira mergulharam de cabeça na estética do chefão. Sabe aquelas sequências de combate com a câmera girando, aquele universo espacial bagunçado e cheio de alienígenas bizarros que a gente viu em Guardiões da Galáxia? Pois é, está tudo aqui. É um filme bom, divertido e com um coração enorme, mas às vezes dá a sensação de que pegaram um template do James Gunn e apenas trocaram os personagens. Não chega a ser um flop, mas falta aquela identidade própria que faça a obra brilhar por conta própria.
No roteiro, a trama é inspirada (bem vagamente, diga-se de passagem) na HQ Supergirl: Woman of Tomorrow, do Tom King e da Bilquis Evely. Para quem leu, sabe que a comic é quase um faroeste espacial, algo denso e visceral. No filme, a história foca na jovem Ruthye, que vê sua família ser massacrada pelo vilão Krem, interpretado por um Matthias Schoenaerts cheio de piercings e próteses nos olhos que impõe respeito. A menina quer vingança e, para isso, acaba cruzando o caminho da nossa protagonista.

E é aí que entra a Kara Zor-El, a Supergirl, vivida pela fenomenal Milly Alcock. A personagem está numa fase bem 'estou nem aí para a vida', fazendo basicamente um tour por bares intergalácticos para comemorar seu aniversário de 23 anos. O detalhe genial é que, para conseguir ficar bêbada de verdade, ela precisa visitar planetas com sol vermelho, onde seus poderes são nerfados e ela se torna vulnerável como qualquer humano. É um toque bem criativo que humaniza a personagem e tira ela daquela sombra de invencibilidade chata do primo dela.

O grande trunfo do filme é, sem dúvida, a Milly Alcock. Ela entrega tudo! A química dela com a Ruthye funciona bem, e ela consegue equilibrar a arrogância de quem pode explodir um planeta com a fragilidade de alguém que está tentando fugir dos próprios traumas. Quando o filme foca nela, a coisa flui. O problema é que a narrativa, em certos pontos, entra num loop previsível: a Kara tenta deixar a menina em segurança, a Ruthye se mete em confusão por ser teimosa, e a Supergirl aparece para salvar o dia com um soco potente. Ficou um pouco superficial demais comparado à profundidade da HQ.

Outro ponto que merece destaque é o visual. A Warner Bros. Pictures não economizou nos efeitos, e o design dos alienígenas é bem interessante, fugindo daquele padrão de 'humano com maquiagem de borracha'. No entanto, a simplicidade do arco do vilão Krem deixa a desejar. Ele começa como uma ameaça real, mas acaba se tornando apenas mais um obstáculo no caminho para o clímax, sem aquele desenvolvimento que faria a gente realmente odiá-lo ou entendê-lo.
Mesmo com essas ressalvas, é impossível não notar que o DCU está num caminho muito mais saudável. Ver a Supergirl voando por paisagens arenosas e coloridas em junho de 2026 é um alívio visual. O filme é honesto, não tenta ser a coisa mais profunda do mundo e entrega a diversão que se espera de um blockbuster de herói. É aquele tipo de filme que você assiste com a pipoca na mão e sai do cinema com um sorriso, mesmo sabendo que poderia ter sido algo épico se tivesse tido mais coragem de arriscar no roteiro.

No fim das contas, Supergirl prova que a fundação do novo universo está sólida, mas também deixa um alerta: a DC não pode virar apenas uma 'fábrica de filmes do James Gunn'. Para o DCU realmente decolar e bater de frente com a Marvel, precisamos de vozes diferentes, visões artísticas distintas e menos dependência de fórmulas que, embora funcionem, podem saturar rápido se forem repetidas em cada lançamento.
Meu veredito é que o filme é um sucesso seguro. Ele não reinventa a roda, mas gira ela com estilo e carisma. Se você curte a pegada de aventura espacial com personagens sarcásticos e cenas de ação bem coreografadas, vai adorar. Só não espere a profundidade filosófica da comic Supergirl: Woman of Tomorrow, porque aqui o foco é a diversão e o brilho da Milly Alcock dominando a tela.


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