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Tales from Earthsea: O filme mais polêmico do Studio Ghibli retorna aos cinemas

Se tem uma coisa que a gente respeita aqui é a linhagem do Studio Ghibli. O estúdio japonês passou quatro décadas entregando obras que são praticamente a definição de perfeição na animação, transformando cada frame em poesia visual. Mas, como em qualquer dinastia, até os gênios cometem deslizes, e é aí que entra a famosa "ovelha negra" da família, um título que divide opiniões até hoje e que muitos fãs preferem fingir que não existe.

Estamos falando de Tales from Earthsea, a obra que carrega o peso amargo de ser frequentemente rotulada como o pior filme do estúdio. A notícia que chegou para nós aqui da Gamer Elite é que, para comemorar o aniversário de 20 anos do lançamento original, o longa vai retornar às telas dos cinemas na América do Norte no próximo mês. É a chance perfeita para a galera nova tentar entender por que esse filme causou tanto caos na época e se ele ainda merece esse hate todo.

O problema central de Tales from Earthsea começa logo na sua gênese, sendo a estreia na direção de Goro Miyazaki, filho do lendário Hayao Miyazaki. Imagina a pressão absurda de assumir as rédeas de um projeto do Studio Ghibli sendo filho do maior mestre da animação do mundo; o cara estava com a corda no pescoço desde o primeiro storyboard. Ele tentou adaptar a complexa série de livros de Ursula K. Le Guin, mas em vez de focar em uma única história, resolveu misturar vários volumes em um único roteiro, o que acabou criando uma salada narrativa difícil de digerir.

Imagem Cena de Studio Ghiblis worst movie 1

Essa decisão de compressão narrativa foi onde o filme realmente flopou. O ritmo ficou completamente irregular, com saltos temporais e desenvolvimentos de personagem que pareciam atropelados, deixando o espectador perdido no meio daquela fantasia épica. A jornada de Arryn tenta carregar temas profundos sobre a mortalidade e o equilíbrio da natureza, mas a história corre tanto para tentar encaixar tudo que as ideias filosóficas não têm espaço para respirar, resultando em um sentimento de vazio.

Imagem Cena de Studio Ghiblis worst movie 2

Para piorar o clima, os bastidores foram um campo de batalha emocional entre pai e filho. Hayao Miyazaki não escondeu suas reservas sobre a capacidade de Goro de dirigir o projeto, e essa dinâmica tóxica acabou vazando para a crítica da época, ofuscando qualquer mérito técnico da obra. O filme não foi julgado apenas pelo que entregava na tela, mas sim como um reflexo da luta de um filho para sair da sombra esmagadora de um pai perfeito, o que é injusto, mas é a realidade do hype e da expectativa do público.

Imagem Cena de Studio Ghiblis worst movie 3

Porém, se a gente olhar para o lado técnico, é impossível dizer que o filme é "ruim" no sentido literal. Os cenários pintados à mão são absolutamente deslumbrantes, mantendo o padrão de qualidade que vemos em outras obras do estúdio, como as que costumamos encontrar em consoles da Nintendo. Além disso, a trilha sonora de Joe Hisaishi é um espetáculo à parte, trazendo aquele peso emocional com orquestras e pianos que conseguem elevar cenas que, no papel, seriam totalmente genéricas.

Imagem Cena de Studio Ghiblis worst movie 4

Curiosamente, a nova geração de fãs, que descobriu o filme via streaming no HBO Max (estilo o que fazemos com jogos no PlayStation), está sendo muito mais benevolente. Sem a pressão de comparar o longa em tempo real com clássicos como A Viagem de Chihiro ou O Castelo Animado, as pessoas estão começando a ver Tales from Earthsea não como um desastre, mas como uma tentativa ambiciosa, embora profundamente falha, de criar algo novo. É aquele tipo de obra que, apesar de ter sido nerfada pelo roteiro, ainda possui um coração genuíno.

Não vamos mentir: o filme não se tornou uma obra-prima escondida da noite para o dia. As críticas de 2006 sobre o ritmo fragmentado e a narrativa confusa ainda são totalmente válidas e continuam sendo os pontos fracos do longa. Ele continua sendo, para a maioria, o ponto mais baixo da filmografia do Studio Ghibli, mas isso não significa que ele não tenha valor artístico ou que não mereça ser revisitado.

O relançamento nos cinemas é um movimento interessante para a gente pensar que a perfeição não é a única coisa que vale a pena ser celebrada. Às vezes, os erros mais honestos e as tentativas mais ousadas nos ensinam mais sobre a arte do que um sucesso garantido. Vale a pena conferir se você é um completionista do estúdio ou se quer apenas sentir a melancolia de um mundo fantástico que, apesar de mal contado, é visualmente hipnotizante.

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