Notícias

Tentei usar o sistema operacional da Coreia do Norte e o resultado é bizarro

Sabe aquele tipo de curiosidade que beira a imprudência tecnológica? Pois é, eu me rendi a ela. Se você já passou por qualquer treinamento de segurança cibernética corporativa, sabe que a regra número um é: nunca espete um pendrive desconhecido no seu PC. Mas e se esse pendrive estiver rotulado como "Vindo da Coreia do Norte"? Para a maioria, isso é um convite para um ataque de ransomware instantâneo, mas para mim, foi o início de um experimento digno de um episódio de terror digital.

Eu decidi entrar a fundo no RedStar OS 3.0, a distribuição Linux caseira da República Popular Democrática da Coreia. Obviamente, para não transformar meu computador em um tijolo caro ou dar um aviso involuntário ao regime de Pyongyang, rodei tudo dentro de várias máquinas virtuais. A ideia era simples: testar a estabilidade e a viabilidade de um sistema feito para isolar a população, mas com um detalhe crucial: desta vez, eu não estava usando a versão "pura".

Imagem Cena de I spent an 1

O que me trouxe de volta a esse abismo foi a descoberta do RedStar OS 3.5, um "fan-mod" criado por entusiastas que promete limpar o sistema. A promessa desse mod é ambiciosa: remover o spyware governamental, facilitar o acesso de root, traduzir a interface para o inglês e, o mais importante para nós, adicionar um kernel de 64 bits, novos compiladores e bibliotecas atualizadas. Para quem não está familiarizado, o RedStar 3.0 original é baseado no Fedora 15 de 2011 — sim, nós estamos falando de um software que é basicamente uma relíquia arqueológica digital.

Imagem Cena de I spent an 2

Para vocês terem uma ideia da diferença técnica, preparei essa tabela comparativa para mostrar o salto (ou a tentativa de salto) entre as versões:

RecursoRedStar OS 3.0 (Original)RedStar OS 3.5 (Fan-Mod)
BaseFedora 15 (2011)Fedora 15 Modificado
KernelLinux 2.6Linux 5.x
Arquitetura32-bit predominantemente64-bit Support
PrivacidadeSpyware Governamental AtivoSpyware Removido (Supostamente)
IdiomaCoreano (Predominante)Inglês Acessível

A instalação, surpreendentemente, foi a parte mais tranquila. Usando o Virtual Machine Manager, a ISO bootou sem os crashes catastróficos que eu enfrentei anos atrás. O instalador me apresentou três opções de fuso horário: Coreia do Norte, Japão ou Rússia. No momento em que selecionei a opção e a máquina reiniciou para a sessão completa, eu senti que estava prestes a dominar a máquina. Mas a alegria durou pouco, porque o que se segue é o que eu chamo de um pesadelo digital sem escapatória.

Imagem Cena de I spent an 3

Mesmo com o mod 3.5, a experiência de uso é instável ao extremo. A interface tenta imitar o macOS de forma quase caricata, mas por baixo do capô, o sistema luta para se manter vivo. Como agora sou um usuário fiel do openSUSE Tumbleweed, tenho muito mais bagagem de Linux do que tinha em 2022, e mesmo assim, lidar com as dependências quebradas e a instabilidade desse kernel modificado foi exaustivo. O sistema crasha por motivos banais, e a promessa de que seria "mais fácil de usar" é, no máximo, um exagero otimista.

Imagem Cena de I spent an 4

E então chegamos ao ponto principal: isso serve para jogar? A resposta curta é: nem ferrando. A resposta longa é que, embora a adição de bibliotecas de 64 bits e um kernel mais recente teoricamente abrisse portas para softwares modernos, a implementação é tão precária que qualquer tentativa de rodar algo mais pesado do que um editor de texto resulta em tela preta ou reinicializações forçadas. O RedStar OS não foi feito para a liberdade do gaming; ele foi feito para o controle absoluto.

No fim das contas, passar um dia inteiro com esse sistema modificado me mostrou que algumas coisas devem permanecer enterradas. O esforço da comunidade em criar o RedStar 3.5 é louvável do ponto de vista técnico e de curiosidade, mas como produto final, ele é completamente inutilizável. A ideia de que um sistema operacional originado de um regime totalitário pudesse, de alguma forma, se tornar um "Windows Killer" através de mods de fãs é, no mínimo, cômico.

Meu veredito é claro: se você quer experimentar Linux, baixe um Mint, um Ubuntu ou até o Tumbleweed. Não tente instalar um sistema norte-coreano modificado a menos que você tenha um desejo genuíno de ver sua paciência ser testada ao limite. O RedStar OS continua sendo mais uma curiosidade bizarra da história da computação do que uma alternativa real de software. É um experimento fascinante, mas que termina exatamente onde começou: em um ambiente virtual, longe de qualquer perigo real e longe de qualquer utilidade prática.

🎬 Vídeo Relacionado

💬 Comentários da Comunidade

Carregando comentários...

← Ver todas as matérias
gamerelite:cookie-consent