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The Uprising: Andrew Garfield é o Robin Hood ou a Focus Features bugou?

Sabe aquele momento em que você olha para o material de divulgação de um filme e pensa: "O que diabos está acontecendo aqui?". Pois é, a Focus Features resolveu dar um nó na cabeça de todo mundo com o novo longa do Andrew Garfield, chamado The Uprising. A gente estava esperando um drama histórico denso sobre revoltas camponesas, mas do nada o marketing resolveu soltar a bomba de que isso poderia ser, na verdade, uma história de origem secreta do Robin Hood.

Essa confusão toda começou com um post no X (o antigo Twitter) que não deixou margem para dúvidas: "Testemunhe a ascensão de Robin Hood em The Uprising, apenas nos cinemas em 11 de setembro". O anúncio até mudou o título para The Uprising: The Rise of Robin Hood, mostrando o Andrew Garfield com aquele capuz verde clássico, arco e flecha na mão e encarando o Rei. Para quem acompanha Notícias de cinema, esse tipo de reviravolta no marketing costuma gerar um hype absurdo, mas aqui a coisa ficou estranha rápido demais.

Imagem Cena de Andrew Garfields <strong>The Uprising</strong> 1

O problema é que, logo depois desse anúncio, a distribuidora do Reino Unido entrou em pânico e soltou um comunicado negando veementemente que o filme seja sobre o Robin Hood. Eles basicamente disseram que qualquer material de marketing de outros países mencionando o arqueiro lendário não foi aprovado por eles. É aquela típica treta de escritório onde a equipe de marketing dos EUA quer vender o filme usando um nome famoso para não flopar, enquanto a equipe europeia quer manter a integridade do drama histórico.

Originalmente, a trama de The Uprising deveria focar na Revolta Camponesa de 1381, um evento real e sangrento liderado por figuras como Wat Tyler (interpretado por Cosmo Jarvis) e John Ball (Jamie Bell). O personagem do Andrew Garfield, chamado apenas de Ploughman (O Lavrador), seria aquele cara comum, o "Everyman", que é empurrado pelas circunstâncias e pela miséria a pegar em armas contra a coroa britânica.

Imagem Cena de Andrew Garfields <strong>The Uprising</strong> 2

Se você ler as notas de produção iniciais enviadas para a imprensa, não existe sequer a palavra Robin Hood por perto. O texto descrevia apenas o Andrew Garfield como o líder de uma rebelião feroz contra a tirania do Rei Ricardo II, focando na luta por justiça e sobrevivência. Era a receita perfeita para um filme de guerra medieval visceral, sem a necessidade de se pendurar em lendas populares para atrair o público.

Porém, a Focus Features resolveu dar um "buff" na narrativa e atualizou as notas de produção recentemente. Agora, eles dizem que o filme é baseado nos eventos reais que ajudaram a inspirar a lenda do Robin Hood. Ou seja, eles não estão dizendo que ele É o Robin Hood, mas que a história do Ploughman é a base real que deu origem ao mito do fora-da-lei que rouba dos ricos para dar aos pobres.

Imagem Cena de Andrew Garfields <strong>The Uprising</strong> 3

Para justificar essa conexão, o diretor Paul Greengrass se inspirou no poema do século XIV chamado Piers Plowman, que fala sobre os sonhos e medos de um simples fazendeiro. Curiosamente, esse mesmo poema é citado como uma das sementes que plantaram a lenda do Robin Hood na cultura britânica. Basicamente, o filme quer ser um estudo sobre como a realidade brutal de um camponês se transforma em uma fantasia heróica com o passar dos séculos.

Sinceramente, essa indecisão no marketing é um tiro no pé. Quando você tenta vender a mesma coisa de duas formas diferentes — como um drama histórico sério e como um blockbuster de herói medieval — você acaba confundindo os espectadores e tirando a força da obra. Se o filme é bom, ele não precisa desse "disfarce" de Robin Hood para atrair gente para o cinema.

Imagem Cena de Andrew Garfields <strong>The Uprising</strong> 4

No fim das contas, a gente só quer ver o Andrew Garfield entregando aquela atuação visceral que ele sabe fazer. Se ele vai terminar o filme com um capuz verde ou apenas como um camponês revoltado, pouco importa, desde que a direção do Paul Greengrass mantenha a tensão lá no alto. Só espero que a bagunça da divulgação não mascare um roteiro genérico, porque a premissa da Revolta de 1381 é rica demais para ser desperdiçada.

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