Na moral, quem nunca sonhou em ter aquele PC compacto, do tamanho de um console, pra deixar na sala e jogar tudo da Steam sem ter que carregar um monitor gigante? O problema é que a Valve resolveu cobrar os olhos da cara na sua Steam Machine. Para você ter uma ideia, o modelo mais básico de 512 GB sai por $1,049, o que dá aproximadamente R$ 5.769,50. É um valor salgado demais para um hardware que, sejamos sinceros, não é exatamente um monstro de performance, fazendo com que muita gente sinta que a promessa de um "console de PC" acabou flopando no bolso do consumidor.
Mas calma, que nem tudo está perdido para quem quer economizar alguns trocados. Uma varejista francesa chamada LDLC resolveu entrar na briga e tentar fazer o que nem a própria Valve conseguiu: entregar um PC compacto por um preço que não parece um assalto. Eles apresentaram o que inicialmente chamaram de 'Stim Machine', mas que depois — provavelmente para evitar processos chatos de copyright — foi rebatizado como LDLC PC Box. A ideia aqui é simples: usar componentes de PC padrão para montar uma máquina que bate de frente com a proposta da Valve, mas com a vantagem de ser mais aberta.

Falando de valores, o negócio foi offered por €1,000 (cerca de R$ 6.000) na versão de kit, onde você mesmo teria que montar as peças. Para quem não tem paciência de lidar com parafusos e cabos, existia a versão pré-montada por €1,040 (aproximadamente R$ 6.240). Se você comparar com o preço da Steam Machine na Europa, a briga está pau a pau, mas o LDLC PC Box traz a vantagem absurda de usar peças que você consegue trocar depois. Ninguém merece comprar um hardware fechado que, quando fica obsoleto, vira um peso de papel caro.
O mais curioso é que a LDLC não quis apenas vender a máquina, ela entregou até um tutorial de como instalar o SteamOS. Claro que na Steam Machine da Valve isso já vem de fábrica e você não precisa passar por esse trampo, mas para o gamer raiz, ter a liberdade de escolher o sistema ou fazer o upgrade de hardware é o que realmente importa. A proposta é transformar o PC em um console, mas sem as amarras de um ecossistema fechado que costuma dar nerf na nossa liberdade de escolha.

Agora, vamos falar do que interessa: o hardware. No papel, o LDLC PC Box consegue entregar um pouco mais de fôlego que a máquina da Valve. Enquanto a Steam Machine usa uma placa de vídeo semi-customizada baseada em RDNA 3, a máquina francesa vem equipada com a AMD Radeon RX 9060 XT, que já utiliza a arquitetura mais recente RDNA 4. Isso significa mais unidades de computação e uma tecnologia mais nova, o que teoricamente garante mais fps e uma estabilidade maior em jogos modernos que exigem mais da GPU.
No lado do processamento, temos o Ryzen 5 8400F, que é bem comparável ao chip semi-customizado AMD Zen 4 6C / 12T da Valve. Ou seja, em termos de CPU, a briga é equilibrada, mas o diferencial real está na placa-mãe Mini-ITX. Graças a esse padrão, o LDLC PC Box vem com 16 GB de memória DDR5 que, ao contrário de muitos consoles, são totalmente expansíveis. Se você sentir que o sistema está engasgando em jogos pesados, é só comprar mais um pente de memória e pronto.

No quesito armazenamento, a máquina francesa oferece 500 GB de NVMe, mas com um detalhe crucial: ela possui dois slots SATA adicionais. A Steam Machine, por outro lado, entrega um único SSD de 512 GB e um slot para MicroSD. Para quem tem uma biblioteca imensa de jogos na Steam, ter slots extras para HDs ou SSDs baratos é a diferença entre conseguir jogar tudo ou ter que deletar metade dos seus games favoritos toda vez que um lançamento novo chega.

Mas agora vamos cair na real: mesmo sendo "barato" para os padrões de hardware atual, gastar cerca de R$ 6.000 em uma máquina com esse nível de performance ainda é um soco no estômago. A crise de suprimentos de memória e a inflação de componentes deixaram tudo caro demais. É impressionante que a LDLC tenha conseguido chegar nesse preço, mas para o gamer brasileiro, isso ainda é um luxo quase inalcançável, especialmente quando você pode montar algo similar com peças locais e talvez economizar ainda mais.
No fim das contas, o LDLC PC Box é uma tentativa louvável de mostrar que a Valve não precisa ter o monopólio do hardware para SteamOS. É a prova de que componentes padrão podem entregar a mesma experiência de um console, mas com a alma de um PC. Se a máquina vai continuar disponível ou se foi apenas um teste de mercado, ninguém sabe, mas a ideia de ter um "console aberto" continua sendo o maior hype para quem quer simplicidade sem abrir mão do poder.

Meu veredito é que a LDLC acertou na técnica, mas o mercado de hardware está tão instável que qualquer tentativa de criar um "console barato" acaba se tornando um produto de nicho. Eu pessoalmente prefiro montar meu próprio rig do zero, onde eu controlo cada centavo e cada peça, mas é refrescante ver alguém tentando chutar a porta da Valve. Agora, ainda não se sabe se a Valve vai reagir baixando os preços ou se vai continuar ignorando quem não pode gastar milhares de reais em uma caixa compacta.



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