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Richard Garriott tenta recuperar a lendária série Ultima da EA usando brecha jurídica

Se você é um jogador das antigas ou simplesmente respeita a história dos games, sabe que Ultima não é apenas um jogo, é a base de quase tudo que a gente ama nos RPGs modernos. O mestre Richard Garriott, também conhecido como Lord British, é basicamente um dos arquitetos do gênero, e ver a franquia mofando nas gavetas da EA por décadas é, no mínimo, um crime contra o entretenimento. A gente sabe como a Electronic Arts funciona: eles compram estúdios brilhantes, sugam tudo o que podem e depois deixam a propriedade intelectual apodrecer em um cemitério de IPs enquanto focam em microtransações e esportes.

Agora, a história ficou interessante porque o Richard Garriott não está mais apenas reclamando no X. Ele descobriu uma jogada de mestre, quase um *cheat code* da vida real, envolvendo uma brecha na lei de direitos autorais dos Estados Unidos que tem cerca de 50 anos. O plano é retomar a posse de Ultima, e se isso der certo, teremos a volta de um dos maiores pilares da indústria longe da gestão corporativa e engessada que quase matou a série.

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Para quem não manja de juridiquês, o Garriott pretende usar a Seção 203 do Copyright Act of 1976. Essa regra é insana: ela diz que, após 35 anos, o autor original de uma obra pode reivindicar de volta os seus direitos autorais. Como a EA adquiriu a Origin Systems e os direitos de Ultima lá em 1992, o cronômetro já está batendo no limite. Basicamente, o cara só precisa enviar uma declaração escrita e assinada para o escritório de direitos autorais e, boom, a copyright de Ultima volta para as mãos de quem realmente a criou.

O timing não poderia ser mais perfeito, já que o Richard Garriott já tentou conversar com a EA a cada década para reviver a série, mas a empresa sempre deu aquele famoso "banho-maria", fingindo interesse para depois sumir. É aquele comportamento clássico de empresa que não quer fazer o jogo, mas também não quer que ninguém mais faça para não perder o "ativo" no balanço financeiro. É frustrante pra caramba ver um potencial desses sendo desperdiçado por causa de burocracia corporativa.

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Mas a coisa esquentou agora porque a EA começou a registrar novas marcas comerciais para a franquia Ultima. Eles registraram a Classe 041 (para videogames) e a Classe 009 (para jogos baixáveis). Isso cheira a duas possibilidades: ou a EA finalmente acordou e quer fazer algo com a IP (o que eu duvido muito, dado o histórico de flopou da empresa com RPGs profundos), ou eles perceberam que o Garriott está vindo com tudo e decidiram reforçar as defesas para não perder o controle da marca.

Lembrando que a Origin Systems foi fechada pela EA em 2004, e desde então a única tentativa real de reviver a marca foi o Ultima Forever: Quest for the Avatar em 2013, que foi um esforço mobile que não chegou nem perto de capturar a essência da série. Ver a EA tentando "proteger" a marca agora parece mais um movimento defensivo do que uma vontade real de entregar um jogo de qualidade para a galera do PC e consoles.

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Aqui entra um detalhe técnico fundamental que muita gente confunde: a diferença entre copyright e marca registrada (trademark). Se o Garriott vencer a batalha do copyright, ele recupera o código-fonte e a "alma" do jogo, mas a EA ainda pode manter o nome Ultima. Isso significa que ele talvez não possa chamar o jogo de Ultima, mas poderia criar um sucessor espiritual idêntico em tudo, mantendo a essência de Lord British, o que já seria uma vitória gigantesca para nós, jogadores.

O próprio Garriott já mandou a real dizendo que a apropriação dos direitos do seu trabalho original é o primeiro passo, e o que virá depois será o verdadeiro desafio. Imagina só ter um novo RPG com a visão de quem criou os fundamentos do gênero, sem a pressão de vender passes de batalha ou skins de R$ 50,00? Seria um respiro absurdo em meio a tantos jogos genéricos que a gente vê hoje em dia no Steam e no PS5.

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Se esse plano funcionar, estaremos presenciando um dos maiores resgates de IP da história dos games. A EA tem a fama de ser o buraco negro das franquias, onde tudo que entra é esquecido ou transformado em algo irreconhecível. Ver o criador original lutando contra o sistema usando a própria lei dos Estados Unidos é a definição de "estratégia de alto nível". É o tipo de hype que a gente precisa para acreditar que a indústria ainda tem espaço para a paixão acima do lucro.

No fim das contas, a gente só quer ver Ultima vivo novamente. Seja com o nome original ou como um sucessor espiritual, a visão de Richard Garriott é necessária para lembrar a nova geração de desenvolvedores que RPGs são sobre imersão, escolhas morais e mundos vivos, e não apenas sobre subir de nível e farmar itens por 100 horas. A briga jurídica está armada e eu, sinceramente, estou torcendo para que o mestre Lord British dê esse xeque-mate na EA.

Meu veredito é simples: se o Garriott conseguir recuperar esses direitos, será a maior vitória da comunidade de RPGs retro dos últimos anos. A EA já teve sua chance e provou que não sabe o que fazer com essa joia. Agora é hora de devolver a criança para o pai, para que possamos ter, quem sabe, um jogo que realmente honre o legado de Ultima e traga de volta aquela sensação de aventura épica que definia os anos 80 e 90.

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